Quase tudo o que se sabe sobre a Acupuntura é que ela começa com lendas muito antigas. Fu Xi e Hwang Ti foram representantes das comunidades de tribos da sociedade primitiva Chinesa há cerca de 4.000 anos atrás. Muito do que conhecemos deste legado incrível vem deste tempo, ou talvez de épocas ainda mais remotas. Segundo a tradição, tudo começa com as duas grandes polaridades, as energias Yin e Yang, que representam a “mãe” da miríade de coisas do universo. Todas estas “coisas” expressam a formação dos opostos e podem ser vistas em fenômenos simples de nosso cotidiano como o calor-frio, feminino-masculino, dentro-fora, superficial-profundo, alto-baixo, úmido-seco, forte-fraco, luz-escuridão, aberto-fechado, côncavo-convexo etc. Já deve ser de conhecimento de muitos o signo: Yin - Yang. O símbolo circular mostra duas marcas em forma de gotas, uma preta e outra branca, que se complementam, inspirando movimento de expansão e contração. A imagem preta significa o Yin e a branca o Yang. Em cada uma delas há um ponto com a cor oposta significando que o Yin contém a semente do Yang e o Yang contem a semente do Yin. Um elemento não existe sem o outro e não existe nada que possa ser exclusivamente Yin ou Yang.
Para a Acupuntura todo ser humano é um ente que une as essências do Céu e as da Terra e torna possível tudo o que daí brota e ao mesmo tempo constrói em seu centro (localizado no abdome), chamado de “campo cultivável”, o essencial para ser um elo integrador, nutrido e nutridor, entre o que está acima e abaixo de si.
Uma vez formada pela união destas três fontes primordiais, Chi é distribuída para todo o organismo. Das três fontes, duas são renováveis: a do Céu, que traz a informação no ar que respiramos; a da Terra, que traz o alimento que ingerimos, e uma não renovável, que é a nossa energia ancestral, situada na região entre os Rins.
A grande família se faz interconectando-se com uma rede mais superficial ou mais profunda, com ligações de passagem, colaterais entre outras, dentro de uma cadeia (teia) de meridianos, na qual encontramos 12 bilaterais e 2 únicos. Os 12 meridianos principais são apresentados a seguir, o primeiro (Yin) com seu acoplado (Yang): Coração e Intestino Delgado; Baço-Pâncreas e Estômago; Pulmão e Intestino Grosso; Rim e Bexiga; Fígado e Vesícula Biliar; Circulação-Sexualidade e Triplo-Reaquecedor e finalmente um ventral e um dorsal: Vaso Concepção e Vaso Governador.
E do que depende a qualidade do Chi? Do ar que respiramos, dos alimentos que ingerimos e de nossa energia ancestral que recebemos de nossos antepassados (também chamada de Céu Anterior). Nossa qualidade de vida dependerá, portanto de como respiramos e nos alimentamos (isso inclui como alimentamos as idéias, como as digerimos e a que e como dedicamos nossa inspiração). A maneira com que lidamos com a energia ancestral, ou seja, como a usamos em função de nossas escolhas e livre arbítrio, dirá muito a respeito de nossa qualidade de vida.
No corpo saudável as energias convivem em estabilidade, ainda que às vezes temporariamente longe do estado de equilíbrio, proporcionando um estado que nós ocidentais chamamos de homeostase ou equilíbrio fisiológico. Contudo muitos fatores podem alterar uma ou mais destas funções, tais como a forma com que percebemos e construímos nossa realidade objetiva e subjetiva; a forma com que agimos; os estressores ambientais a que estamos expostos; a qualidade de atenção que damos a cada manifestação e ao significado que damos à nossa corporeidade. Dependendo da força, persistência e qualidade da perturbação, haverá desconforto, descontinuidade e interrupção do fluxo energético dos canais (meridianos) supridos por Chi.
De uma maneira geral podemos dizer que as doenças surgem na medida em que há desequilíbrio (insuficiência ou excesso) na relação Yin e Yang dessas trocas em nossos meridianos. Por serem agressões muitas vezes discretas, escondem as desordens tornando-se assintomáticas, mas secretamente vão “construindo” a doença. Por vezes, no entanto, por estarmos com as defesas enfraquecidas, as energias agressivas podem acometer o indivíduo em um só golpe, causando sinais ou sintomas imediatos. Muitos devem ter exemplos deste tipo de passagem em suas vidas, não é mesmo?
Qual seria então o papel da Acupuntura? Restabelecer o equilíbrio, agindo como co-auxiliar, facilitadora ou ainda “verdadeira” enzima que cataliza as reações curativas via estabilização do balanço energético nos ciclos dos meridianos. De que maneira? Com estímulos (laser ou eletropuntura, por exemplo) em pontos específicos do corpo, facilitando o “diálogo” entre os diversos vasos energéticos, permitindo que Chi se expresse em toda sua amplitude. Com isto a vitalidade é redistribuída de forma compatível com o que escolhemos no “andar de nossa vida”, o que exemplifica bastante os diferentes desfechos de cada caso.
A Acupuntura é uma aliada terapêutica de diversas modalidades de tratamento e tem como compromisso ser colaborativa e complementar em diversas especialidades da saúde. Nas doenças crônicas degenerativas ou nas Síndromes inespecíficas como SGA(Síndrome Geral da Adaptação ou Estresse), Fibromilagia, doenças auto-imunes, se aproximando desta forma da reumatologia e geriatria; nas cefaléias tensionais ou paralisias onde abre espaços para, através das pistas deixadas pelo trajeto do meridiano acometido, inferir determinantes do aparelho digestivo, da oclusão dentária, da ATM (Articulação Têmporo-Mandibular) ou do pulmão, portanto é útil para a neurologia, pneumologia, odontologia, fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, enfermagem. Nos acometimentos ósteo-articulares, nas lesões por esforços repetitivos, distúrbios Ósteo articulares relacionados ao trabalho e desvios da coluna vertebral, podem ser particularmente valiosas, aproximando-se da ortopedia, fisiatria, educação física.
Certamente existiriam muitos outros exemplos, como sua utilização complementar anestésica em pré- operatórios, tratamento analgésico em idosos que apresentam intolerância a determinados medicamentos, nos distúrbios uro-ginecológicos, dermatologia, estética e até em plantas e na veterinária. Vimos, portanto que os desequilíbrios energéticos surgem pela insuficiência ou excesso de Yin/Yang e que podem ser evitados pela prevenção, que é nossa mensagem nesta “Estação Saúde”.
Como não há muita atenção preventiva e pouco esclarecimento sobre métodos eficientes e baratos, temos aí uma magnitude maior nos dispêndios com a saúde, quando poderíamos economizar e aplicar estes recursos em outros benefícios para a sociedade.
Apenas uma sessão de reequilibrio na Acupuntura já traz resultados imediatos de bem estar, confiança, auto-estima e conforto. O paciente deve ser protagonista de sua cura e não simples objeto passivo do processo. Depois de uma sessão inicial de reequilibrio e tomada de pulso (método que o Acupunturista utiliza para examinar a situação energética dos meridianos), clínico, paciente e, dependendo do caso, se possível a família, conversam sobre o quadro geral e quais as alterações no estilo de vida que são prioritárias para uma vida melhor aproveitada. As vantagens na aplicação da Acupuntura são: 1. útil em qualquer doença como aplicação sistêmica, em micro sistemas ou ainda pontual, sejam doenças agudas ou crônicas; 2. oferece auxilio complementar a vários agravos não importando sua localização, faixa etária, sexo, podendo ser facilmente associada a outras modalidades terapêuticas; 3. pode ser usada em eventos cirúrgicos no sentido de reforçar o estado imunológico do paciente; 4. possibilita a diminuição do uso de medicamentos aumentando a eficácia do tratamento; 5. mostra simplicidade na instrumentação necessária, utilizando-se de eletroestimulação transcutânea, laser ou moxa(bastões quentes de artemísia); 6. usa material totalmente descartável garantindo segurança no tratamento; 7. é complementar as lacunas existentes dentro da prática clínica convencional ocidental; 8. constitui-se um útil método diagnóstico auxiliar e complementar baseado na observação do pulso radial e numa consulta (anamnese) diferenciada e integralista.
É importante destacar que a Acupuntura não é a panacéia universal que resolverá todos os problemas de saúde da humanidade, mas certamente contribuirá, e muito, nas mais diversas alterações do processo saúde-doença, com respostas extremamente positivas em todos os âmbitos da vida.
Maurici Tadeu Ferreira dos Santos é Fisioterapeuta pela Universidade Federal de São Carlos, Acupunturista pela Associação Brasileira de Acupuntura e consultor-palestrante da Prisma-Projetos Integrados em Saúde e Meio Ambiente. Contatos: 3892-7947 / 8631-6839 ou pelo email mauricitadeu@yahoo.com.br . |